DICA- Historias de ficção científica
DESCRIÇÃO: Em um futuro onde a tecnologia e a natureza se fundiram em um único organismo vivo, a cidade de Ametista surge como um refúgio de esperança. O conto acompanha Hana, uma Zeladora de Biomas dedicada a proteger o Sementeiro — o coração da biodiversidade do planeta. Através de interfaces orgânicas e sensores de quartzo, o mundo não é apenas observado, mas sentido. A trama mergulha no conflito entre a preservação ecológica e a ganância das Cidades de Ferro, explorando como a verdadeira segurança reside na conexão biológica e emocional entre os seres e o ambiente.
PERSONAGENS:
* Hana: A protagonista e Zeladora de Biomas. Sua identidade é definida por sua simbiose com o ecossistema e seu compromisso em proteger o legado vegetal da Terra.
* Sr. Elias: Mentor de Hana, um sábio guardião que representa a memória e o conhecimento ancestral da botânica.
* O Irmão: Antagonista que personifica a influência das "Cidades de Ferro". Ele vê a natureza apenas como uma mercadoria valiosa e luxuosa, representando a ruptura do laço humano com a terra.
TECNOLOGIA E MUNDO:
* Biometria Orgânica: Sistemas de segurança que leem não apenas impressões digitais, mas o estado emocional, a pulsação e a saúde do usuário através de materiais naturais como quartzo e madeira petrificada.
* Solarpunk: Um cenário otimista de arquitetura viva, onde prédios respiram, jardins são verticais e a energia é provida pela própria biologia do ambiente.
* O Sementeiro: Um banco de sementes sagrado, funcionando como o "HD" da vida biológica remanescente.
TEMAS PRINCIPAIS:
* Simbiose: A ideia de que o ser humano é "o sangue" e a floresta é "o corpo".
* Traição vs. Lealdade: O conflito familiar entre o lucro imediato e a preservação para as futuras gerações.
* Tecnologia Regenerativa: A tecnologia sendo usada como um sistema imunológico para a Terra, e não como uma ferramenta de exploração.
Gostaria que eu criasse um pequeno resumo para a contracapa deste livro baseado nesses temas?
O Refúgio de Ametista
A cidade de Ametista não era feita de arranha-céus frios, mas de estruturas de madeira de reflorestamento e jardins verticais que pareciam respirar. O ar tinha um cheiro doce de chuva recente e musgo. Hana não era uma policial cibernética, mas uma Zeladora de Biomas. Ela vivia em uma casa suspensa, envolta por trepadeiras que floresciam à noite. Para entrar, ela não tocava em uma tela de vidro, mas em um painel de madeira petrificada que pulsava suavemente com uma luz âmbar. Quando sua digital tocava a superfície, Hana sentia um calor familiar — era a biometria reconhecendo não apenas sua identidade, mas seu estado de saúde e sua conexão com o ecossistema da casa.
O Santuário das Sementes
Hana trabalhava no Sementeiro, um local sagrado onde eram guardadas as últimas linhagens de plantas ancestrais. O prédio era circular, com paredes de barro batido e tetos de vidro que permitiam que a luz do sol banhasse as mudas. O silêncio ali era interrompido apenas pelo gotejar da água e pelo canto de pássaros que voltaram a habitar a região.
O Sr. Elias, um homem de mãos calejadas pela terra e olhos que guardavam séculos de sabedoria, chamou-a. "Hana, o Terminal da Vida foi violado. Alguém tentou acessar a semente da Árvore-Mãe, a árvore que deu origem a toda esta floresta."
A Marca da Traição
Ao chegar ao terminal — que ficava dentro de uma árvore oca milenar — Hana não encontrou apenas dados. Ela encontrou uma impressão digital de lama seca sobre o sensor de quartzo. Ao analisar aquela marca, ela não viu apenas códigos. Ela viu a textura da terra que o invasor carregava sob as unhas. A biometria revelou algo que apertou seu peito: a digital tinha uma curvatura que ela reconheceria em qualquer lugar. Era de seu irmão, que havia partido há anos para as Cidades de Ferro, as metrópoles frias que ainda recusavam a natureza.
Ele não queria a semente para plantar; ele queria vendê-la como um luxo para os ricos das cidades cinzas. A traição doía mais do que qualquer falha de sistema.
O Ritual do Sangue e da Seiva
Hana encontrou o irmão nas raízes profundas do Sementeiro. Ele segurava um frasco com a semente dourada. "Isso vale uma fortuna lá fora, Hana! Podemos viver como reis, longe dessa lama!", ele gritou.
Para detê-lo, Hana não usou armas. Ela se aproximou do Painel Central, um dispositivo orgânico que controlava a irrigação e as defesas do santuário. O sistema exigia uma biometria dupla: a digital e a leitura da pulsação. Enquanto tocava o sensor, Hana fechou os olhos e se concentrou no seu amor pela floresta. O sistema não leu apenas seu polegar; ele leu a calma em seu sangue e o ritmo do seu coração, que batia em sincronia com a terra.
As raízes da Árvore-Mãe se moveram levemente sob os pés do irmão, cercando-o com um abraço vegetal, firme mas sem machucar. A tecnologia ali não era uma barreira, era um sistema imunológico protegendo o que é sagrado.
O Ciclo que se Fecha
Depois que o irmão foi levado para reabilitação nas comunidades agrícolas, Hana voltou à Árvore-Mãe. Ela colocou a mão sobre o tronco áspero. O sensor de quartzo brilhou suavemente sob seu toque, reconhecendo sua protetora. Ela não leu um vídeo de adeus, mas sentiu, através da interface biométrica ligada às raízes, o pulsar da floresta inteira — a água subindo pelo caule, as folhas se abrindo para a lua.
Hana percebeu que sua digital era apenas uma pequena parte de um padrão muito maior. Ela era o sangue, e a floresta era o corpo. Ela voltou para casa com os pés descalços na terra, sentindo que, enquanto houvesse vida para ser lida pelos sensores, o mundo nunca mais seria frio.
Autor: Alexandre Morche

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